quinta-feira, 21 de julho de 2011

Lies spread like your legs did

Os chupa-chupas transformaram-se em cigarros. Os inocentes transformaram-se em fdp. Os tpc vão para o lixo. Os telemóveis usam-se na sala de aula. A detenção torna-se suspensão. Água em vodka. Bicicletas em carros. Beijos transformam-se em sexo. Lembras-te quando ser grande significava brincar no recreio? Quando a protecção significava usar um capacete? Quando as piores coisas que poderias começar a partir dos teus amigos eram os piolhos? Quando o ombro do teu pai era o lugar mais alto no mundo e a tua mãe era a tua heroína? Os teus piores inimigos eram os teus irmãos. As questões raciais eram sobre quem correu mais rápido. A guerra era apenas um jogo de cartas. E a única droga que conhecias era xarope para a tosse. Usar uma saia não fazia de ti puta. A maior dor que sentiste foi quando esfolaste os joelhos, e adeus apenas significava até amanhã. E não podíamos esperar para crescer.»

Se soubesse que iria ser assim, não crescia !




quarta-feira, 20 de julho de 2011

Say a little prayer to yourself

O maior inimigo de um amor pleno é o medo. O medo de não ser suficientemente amado, de não amar o suficiente, de não sermos a pessoa que pensamos que o outro quer e merece, o medo da responsabilidade, da rotina, do compromisso, o medo de falhar, de se deixar ir, de amar e de se deixar amar. Mas há outro grande inimigo do amor: o orgulho. Quantas vezes não perdemos quem amamos por teimosia, mania, obsessão por argumentos racionais e orgulho ferido? O Orgulho ferido num homem é das maleitas mais difíceis de curar; por mais que ele ame uma mulher, se ela lhe abana o orgulho, vira-se o barco e vai tudo ao fundo. E fazer tremer o orgulho de um homem é mais fácil do que parece. A Insegurança é irmã do orgulho. A Natureza ensinou-nos que a maior parte das espécies animais só ataca sob duas condições: quando tem fome ou quando tem medo. E lá voltamos outra vez ao cume da questão: o medo está na base das inseguranças, que geram atitudes orgulhosas de defesa, as quais podem revelar-se em gestos de ataque. Um caso clássico é o do homem que, ao ser rejeitado por uma mulher, trata imediatamente de arranjar outra. Há muitas mulheres que fazem o mesmo, mas não exactamente pelas mesmas razões. Quando uma mulher é rejeitada por um homem e arranja outro, fá-lo para chamar a atenção, como quem diz: ‘Estou aqui, vem cá buscar-me, no fundo é de ti que eu gosto, és tu quem eu quero e de quem preciso ao meu lado’. Quando um homem sob as mesmas circunstâncias arranja outra mulher, está a passar a mensagem ‘o mundo está cheio de mulheres e portanto não preciso de ti para nada’. Mas enfim, há que manter a pose de “MAIOR”. Ditam-lhe ao ouvido que não pode voltar atrás, porque isso não representa o triunfo do amor, mas uma derrota pessoal, impensável de superar. Já as mulheres são infinitamente menos orgulhosas, pois para uma mulher voltar atrás não é uma derrota, mas sim uma prova de amor. Conseguimos atirar para trás das costas ou passar uma esponja pelas patifarias ou passos em falso, em nome de valores mais elevados. E quando uma mulher já não consegue perdoar um homem é porque ele já gastou todos os “créditos” e ela já não consegue ter por ele nenhuma espécie respeito. É quando já não esperamos nada das pessoas que elas morrem no nosso coração. Com os homens não é assim: podemos viver no coração deles para sempre, ainda que mostrem ao mundo que já não nos amam. O orgulho fala mais alto, o preconceito da rejeição acaba por prevalecer no coração, têm medo, sobretudo medo de serem rejeitados outra vez.”
Margarida Rebelo Pinto, como não poderia deixar de ser.