terça-feira, 30 de agosto de 2011

Be happy , for me , and for you, please.............

De todos os sitios por onde vagueamos nada mais ficam do que as memórias, esta ou aquela pessoa que nos falou com os olhos e transmitiu tudo sem que fosse preciso dizer um "olá". Pessoas que não conhecemos, que vão na rua e nos contam todos os seus objectivos e planos sem pronunciarem uma única palavra. A viagem diária de comboio onde nos prendem os momentos de uma vida sem nos terem falado sobre uma única linha. A fotografia com os sorrisos que nunca vimos que nos dizem todos os erros que já foram cometidos sem ninguém nos tentar ensinar. Ou o sonho da noite anterior cujas faces não se viam, as vidas não se liam, os desejos não se sabiam, e conhecemo-los melhor que ninguém, e no entanto: quem são? (dizem que é mais fácil conhecer estranhos do que conhecermo-nos e a quem nos rodeia, talvez)Apanhei o comboio para o mundo, ensinaste-me mesmo sem me teres falado sobre isso que as palavras só devem ser utilizadas quando são realmente necessárias. E tens-me ensinado muito ultimamente, embora tu não saibas disso, e é isso que nos torna especiais, tu não pedes e não hesitas em dar, e eu não procuro receber e só não te dou o que não temos. Nós somos a viagem diária de comboio, só a fazemos porque queremos, e sabemos mais sobre nós do que pensamos, e muita coisa fica sem ser dita. Gostava de te agradecer, e embora não te diga " Obrigado " eu sei que tu me sentes agradecida, as palavras entre nós aprenderam a esperar, sabemos que nem sempre são a verdade, tens-me ensinado a conduzir comboios, a simular sonhos e a ir a sitios onde nunca cheguei, e no entanto nunca aprendeste. Temos uma coisa boa, não sabemos quando acaba a viagem porque não lhe demos um destino.

como escrevia Paulo Coelho:

" Não somos donos do Sol, nem da tarde, nem das ondas, porque não podemos possuir-nos a nós mesmos. (...) parece-me que sempre te conheci, porque não consigo lembrar-me de como era o mundo, antes. (...) As pessoas dão flores de presente porque nas flores está o verdadeiro sentido do Amor. Quem tentar possuir uma flor, verá a sua beleza murchar. Mas quem apenas olhar uma flor num campo, permanecerá para sempre com ela. (...) nunca serás minha e por isso ter-te-ei para sempre. "

Quero com isto dizer-te que eu não preciso de saber até onde vai o comboio, não preciso de saber a que horas termina a viagem e se ela realmente começou, interessa-me apenas que eu continuo apanhar o mesmo comboio à hora marcada, sem saber que horas são. E não quero olhar para o relógio porque não quero ter, se por acaso algum dia tentar chegar a horas, vou ver o comboio partir antes de mim, vou ver os momentos partirem sem serem conhecidos, porque não haverá comboios, nem sorrisos, nem sonhos nem sitios para visitar, nem coisas para ensinar ou aprender e não haverá mais do que eu e tu e algumas histórias para contar, deixa as horas marcadas, o mundo é de quem não olha ao tempo.

e já agora, deixa-me dizer-te que
- não se apanha o comboio certo duas vezes na mesma vida

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Lies spread like your legs did

Os chupa-chupas transformaram-se em cigarros. Os inocentes transformaram-se em fdp. Os tpc vão para o lixo. Os telemóveis usam-se na sala de aula. A detenção torna-se suspensão. Água em vodka. Bicicletas em carros. Beijos transformam-se em sexo. Lembras-te quando ser grande significava brincar no recreio? Quando a protecção significava usar um capacete? Quando as piores coisas que poderias começar a partir dos teus amigos eram os piolhos? Quando o ombro do teu pai era o lugar mais alto no mundo e a tua mãe era a tua heroína? Os teus piores inimigos eram os teus irmãos. As questões raciais eram sobre quem correu mais rápido. A guerra era apenas um jogo de cartas. E a única droga que conhecias era xarope para a tosse. Usar uma saia não fazia de ti puta. A maior dor que sentiste foi quando esfolaste os joelhos, e adeus apenas significava até amanhã. E não podíamos esperar para crescer.»

Se soubesse que iria ser assim, não crescia !




quarta-feira, 20 de julho de 2011

Say a little prayer to yourself

O maior inimigo de um amor pleno é o medo. O medo de não ser suficientemente amado, de não amar o suficiente, de não sermos a pessoa que pensamos que o outro quer e merece, o medo da responsabilidade, da rotina, do compromisso, o medo de falhar, de se deixar ir, de amar e de se deixar amar. Mas há outro grande inimigo do amor: o orgulho. Quantas vezes não perdemos quem amamos por teimosia, mania, obsessão por argumentos racionais e orgulho ferido? O Orgulho ferido num homem é das maleitas mais difíceis de curar; por mais que ele ame uma mulher, se ela lhe abana o orgulho, vira-se o barco e vai tudo ao fundo. E fazer tremer o orgulho de um homem é mais fácil do que parece. A Insegurança é irmã do orgulho. A Natureza ensinou-nos que a maior parte das espécies animais só ataca sob duas condições: quando tem fome ou quando tem medo. E lá voltamos outra vez ao cume da questão: o medo está na base das inseguranças, que geram atitudes orgulhosas de defesa, as quais podem revelar-se em gestos de ataque. Um caso clássico é o do homem que, ao ser rejeitado por uma mulher, trata imediatamente de arranjar outra. Há muitas mulheres que fazem o mesmo, mas não exactamente pelas mesmas razões. Quando uma mulher é rejeitada por um homem e arranja outro, fá-lo para chamar a atenção, como quem diz: ‘Estou aqui, vem cá buscar-me, no fundo é de ti que eu gosto, és tu quem eu quero e de quem preciso ao meu lado’. Quando um homem sob as mesmas circunstâncias arranja outra mulher, está a passar a mensagem ‘o mundo está cheio de mulheres e portanto não preciso de ti para nada’. Mas enfim, há que manter a pose de “MAIOR”. Ditam-lhe ao ouvido que não pode voltar atrás, porque isso não representa o triunfo do amor, mas uma derrota pessoal, impensável de superar. Já as mulheres são infinitamente menos orgulhosas, pois para uma mulher voltar atrás não é uma derrota, mas sim uma prova de amor. Conseguimos atirar para trás das costas ou passar uma esponja pelas patifarias ou passos em falso, em nome de valores mais elevados. E quando uma mulher já não consegue perdoar um homem é porque ele já gastou todos os “créditos” e ela já não consegue ter por ele nenhuma espécie respeito. É quando já não esperamos nada das pessoas que elas morrem no nosso coração. Com os homens não é assim: podemos viver no coração deles para sempre, ainda que mostrem ao mundo que já não nos amam. O orgulho fala mais alto, o preconceito da rejeição acaba por prevalecer no coração, têm medo, sobretudo medo de serem rejeitados outra vez.”
Margarida Rebelo Pinto, como não poderia deixar de ser.